segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Coisa de casal: Sexo



- Foi lindo.
- Foi só sexo.
- Não, fizemos amor!
- Ninguém faz amor. Fizemos sexo.
- Claro que não. Ah, vai dizer que você não percebeu a magia daquele ato.
- Quer saber uma coisa mágica que eu percebi?
- O que? Como foi uma noite inesquecível?
- Não. Você teve um orgasmo.
- Não seja grosso!
- Você não reclamou ontem a noite.
- Pare de menosprezar nossa noite juntos.
- Não to menosprezando, no geral, foi uma noite muito boa.
- O que você quer dizer com “no geral”? Foi uma noite única.
- Realmente, hoje faremos diferente. O que acha de mudarmos a posição?
- Não vou mudar coisa nenhuma!
- Meu amor, mudar é sempre bom.
- Então mude sua concepção: fizemos amor, não fizemos?
- Fizemos o que você quiser. Ou melhor, faremos. Eu. Você. Hoje à noite.
- Pode parar com a brincadeira e me levar a sério?
- Claro. Posso te levar pra cama também, se você quiser.
- Basta!
- O que foi? Não quer ir pra cama? O que acha do balcão da cozinha, então? Sofá? Chão? Todo lugar é lugar.
- Você não está considerando meus sentimentos.
- Que calúnia! Claro que estou. 
- Não está! Quer saber? Cansei. Vou arrumar minhas coisas e vou pra minha casa.
- Ótimo. Sua casa então. Ta combinado. Te encontro às 9.
- Idiota. Cara-de-pau. Não se atrase. 


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Você nem percebe



Levanta em um pulo por que perdeu o horário. Se arruma parecendo que vai tirar a mãe da forca. Engole o café todo de uma vez. Desce as escadas pulando todos os degraus. Corre pro ponto do ônibus, tarde demais, o ônibus acabou de passar. Passa mais vinte minutos impaciente esperando o próximo. Corre pra sala de aula e dorme. Pega uma fila gigantesca na cantina. Lá esta você batendo o pé impaciente, de novo. Volta pra sala e vai ouvir música. Hora de voltar pra casa. Pega outro ônibus lotado e vai xingando todas as gerações do motorista, como se ele tivesse alguma culpa. Chega em casa e mal tem paciência para o almoço. Sua mãe briga por que tem que mastigar direito. Você não ouve. Vai para o computador e fica lá o resto da tarde. Atividade do colégio? Não sabe o que é. Atividade física? Você é só mais um sedentário. O sono chega já tarde da noite. Você vai dormir e esquece de colocar o despertador.

Então você...

Levanta em um pulo por que perdeu o horário e nem percebe o bom dia da sua irmã mais nova. Se arruma parecendo que vai tirar a mãe da forca e nem dá um beijo na sua mãe. Engole o café todo de uma vez e nem percebe que seu pai comprou aquele pão-de-queijo que você tanto gosta. Desce as escadas pulando todos os degraus e nem percebe que mudaram os quadros das paredes. Corre pro ponto de ônibus e nem percebe como o dia amanheceu bonito. Passa mais vinte minutos impaciente olhando pro relógio e nem percebe que nesse tempo passou outro ônibus que também servia pra você. Corre pra sala de aula a troco de nada, você dorme e nem percebe que tem professor novo. Pega uma fila gigantesca e não percebe que nem com fome está, mas permanece lá, impaciente. Vota pra sala, vai ouvir musica e nem percebe que está cantando uma musica totalmente diferente da que esta tocando. Volta pra casa em pé no ônibus lotado. Xinga tanto o motorista e nem percebe que mudaram, não é mais o mesmo que te levava todos os dias. Chega em casa e nem percebe que sua mãe fez lasanha, seu prato favorito. E também não ouve quando ela manda você saborear mais a comida. Passa o resto da tarde dentro do quarto e não percebe que teus amigos te chamaram duas vezes lá fora, afinal o dia estava pedindo uma partidinha de futebol. A atividade do colégio era uma pesquisa boba no computador, mas você não percebeu. Atividade física você desconhece, nem futebol você joga mais. O sono chega e você vai dormir sem perceber que mais um dia passou despercebido por você.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A primeira vez



Não imaginei que aquilo fosse acontecer naquela noite. Muito menos daquele jeito. Foi algo inesperado e até meio sem sentido. De certa forma, gostei. Confesso que se tivesse me preparado seria bem melhor, mas esse tipo de coisa acontece com qualquer um, não é mesmo? Pelo menos é o que dizem por ai, todo mundo tem a sua primeira vez.
Foi o seguinte: me produzi toda esperando chegar em um coquetel, mas os planos mudaram e eu fui parar em uma boate num bairro movimentado da minha cidade. É isso, nos meus quinze aninhos de vida eu nunca tinha ido a uma. A experiência foi um tanto constrangedora, estava com meus pais e por mais descontraídos que os dois sejam, continuam sendo meus pais. No início me senti um peixe fora d’agua, e não deixava de ser. A pouca luz do lugar só contribuía para eu achar todo mundo muito igual: as mulheres com as mesmas saias curtíssimas de cintura alta e todos os homens com as mesmas camisas pólo. E lá estava eu, com minha calça jeans e jaqueta. A única coisa que me aproximava do pessoal era meu salto, que por sinal, doía muito no meu pé.
Assim que cheguei, achei tudo horrível, detestei. Estava desconfortável, queria ir para o coquetel, a música estava aguda demais e derrubaram bebida no meu cabelo, maldita hora que resolvi sair de casa. Passou uma hora e nesse tempo eu acabei achando o lugar até legalzinho, o sofá era bem macio e aconchegante e meu cabelo já estava quase seco, não foi de todo o mal. Depois começaram a tocar um forrozinho. Que boate mais eclética, vejam só. Ou será que todas são assim? Adoro forró. Adorei esse lugar. Mãe, meu aniversario ano que vem vai ser lá, ta? Um cara já tinha passado por mim milhares de vezes... Ou será que foi outro? Sei lá, mas ele era bonitinho. Porra, mãe e pai!
No fim da história ou no fim da noite, eu já estava cantando e dançando. Sozinha. E mesmo assim estava me divertindo. Sabe, no inicio não gostei, mas depois foi legal. Quero repetir a dose, afinal, dizem que a primeira vez nunca é isso tudo, nunca é cem por cento boa. Da segunda em diante a gente aproveita muito mais, fica mais descontraída, mais relaxada. Talvez seja bem melhor.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Deixa


Chega um pouco mais perto. Deixa eu sussurrar no seu ouvido que as noites sem você costumam ser mais frias. Deixa eu te contar meu dia mais estranho, minhas bobagens e minhas neuras. Deixa eu te contar que você ainda significa muito pra mim. Sabe, daquele jeito tão especial, deixa eu me encaixar no seu peito, envolvida pelo seu abraço. Vem cá, deixa eu te mostrar que o amor pode ser bom sim. Que a gente ainda pode ser muito feliz. Deixa eu te falar que o passado ta lá atrás, e ta na hora da gente viver nosso maior presente, o nosso futuro daqui a um segundo. Deixa eu mexer nos teus cabelos, eu gosto e sei que você gosta. Deixa eu te mostrar que vida a dois pode ser muito boa. Deixa eu me perder no teu olhar, deixa eu me encontrar na tua boca. Deixa eu e você sermos nós. Vem meu amor, que eu deixo.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Diferente dos contos de fadas




Já cansei de ouvir as histórias das princesas que levam uma vida sofrida, que se apaixonam por seus príncipes em um piscar de olhos, literalmente, e vivem uma vida perfeita com eles para todo o sempre. Já ouvi gente dizendo que queria uma vida assim. Sinceramente, eu não vejo a menor graça numa história desse tipo. Definitivamente, não quero um amor digno de conto de fadas. Não quero estar dormindo quando meu príncipe chegar. Não quero precisar comer uma maçã envenenada pra ele me achar. Não quero ser obrigada a sair correndo descalça quando encontrá-lo. Não quero que ele fique pendurado em mim e nem cego. Muito menos quero mudar quem eu sou para agradá-lo. Na verdade, eu não to nem um pouco afim de um príncipe em minha vida. Príncipes são chatos e eu não sou uma princesa, apesar do que os pedreiros e tarados dizem por ai.
Não quero ter um castelo, a menos que esse seja feito de travesseiros em uma cama bagunçada. Não quero um homem com cabelo impecável e completamente perfeito. Quero ele com o cabelo perfeitamente bagunçado. Quero um homem com defeito de gente, assim como eu tenho. E não são poucos. Quero um homem de carne e osso, não de papel. Não quero passar a história toda sozinha e só acha-lo no final. Quero que o acaso aja sobre nós e nos mostre a delícia que é se apaixonar aos pouquinhos. Aproveitar cada momento da nossa história vivendo cada segundo juntos. Quero as brigas, quero fazer as pazes, quero ligações de madrugada, quero ele me abraçando, quero as risadas e muitos, muitos beijos. Quero filmes num fim de tarde. Quero o frio lá fora e o calor aqui dentro. Quero eu e ele e um cobertor. Quero ter momentos e lembranças. Quero ter histórias para contar, fotos para mostrar e fases difíceis para superar. E quero sim ser feliz pra sempre, claro, só não quero que o fim esteja na próxima página. 


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Tem sempre aquela amiga



Tem sempre aquela amiga divertida. Tem aquela amiga meio parada. Tem aquela meio chata. Aquela meio perturbada.  Tem aquela curiosa e a outra super medrosa. E tem também aquela outra que vive no mundo da lua. Tem sempre a imperativa e tem também a super desastrada. Tem a amiga fiel e a conselheira. Tem a santinha do pau-oco e a roqueira. Tem a mimada, a esperta e a antenada. Todo mundo sempre tem uma amiga meio desparafusada. Tem a outra que chora por tudo e a que ri por nada. Tem aquela que é um poço de calmaria e a outra que é pura histeria. Não pode faltar a amiga ciumenta e a barulhenta, claro. Tem também a amiga meio perua, que às vezes perde o senso e chama a atenção de todos na rua. Tem aquela que você passa horas no telefone e a outra que conta todos os meninos da sua vida, nome por nome. Tem a amiga vela e a mais velha. E tem também aquela amiga tagarela. Tem a amiga independente e a amiga carente. Aquela que já sofreu por amor e a outra que sempre guarda um pouco de rancor. Tem a amiga orgulhosa e a amiga generosa. Tem a que compra briga e a que sempre te irrita. Tem a namoradeira e a casamenteira, a famosa amiga cupido. Tem aquela que o abraço é sempre o melhor abrigo. Tem a cachaceira e a neurótica. Aquela meio preguiçosa e a corajosa.  A que dorme demais e a que sonha alto. Tem a amiga que acaba com qualquer um sem precisar descer do salto. Tem a amiga menina e tem a amiga mulher, aquela que ta ali para o que der e vier. E tem aquela que você nem precisa chamar, ela vai estar contigo assim que você precisar. Tem aquela amiga que é tudo isso misturado e vai estar sempre do seu lado. Mas tem sempre aquela amiga que você não pode viver sem, porque melhor que ela não tem. 

Feliz dia do amigo!


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Um homem, dois vícios...


A escuridão não me assustava mais. O cheiro de cigarro, já impregnado em tudo naquele quarto, me acalmava e me desligava de todo o resto quando percebi que tinha me tornado um ser viciado em solidão e que não via o menor problema nisso. Os rastros de felicidade deixados ali no canto, por pessoas que só estavam de visita, não me enchiam mais os olhos e eu facilmente os trocaria por um pouco de paz. Paz interior. Por que apesar de ter me tornado minha melhor companhia, já estava cansado de discutir comigo mesmo por motivos bestas. Uma voz dentro de mim dizia que viver sozinho é coisa de maluco. Pois então eu era maluco, retrucava, maluco por amar demais e mergulhar de cabeça no oceano de emoções que são os olhos de uma pessoa. Maluco por achar que existia um oceano ali e, meu Deus, era apenas uma piscina das mais rasas. Então a solidão, de fato, combinava muito comigo. De todas as maluquices, a melhor. Assim, mergulharia apenas no imenso silêncio da minha própria existência. Sem amor, sem dor e sem piscinas rasas. Traguei mais uma vez o cigarro e em seguida libertei uma névoa cinza de pura amargura, que dançou timidamente no ar enquanto eu fechava os olhos. Repetindo a mesma cena de todos os dias: uma cama bagunçada, um cigarro entre os dedos, um diálogo conturbado comigo mesmo e a solidão deitada do meu lado. Foi então que adormeci acompanhado dos meus dois únicos vícios e sem desejar ter mais nada nessa vida.