segunda-feira, 11 de julho de 2011

Um homem, dois vícios...


A escuridão não me assustava mais. O cheiro de cigarro, já impregnado em tudo naquele quarto, me acalmava e me desligava de todo o resto quando percebi que tinha me tornado um ser viciado em solidão e que não via o menor problema nisso. Os rastros de felicidade deixados ali no canto, por pessoas que só estavam de visita, não me enchiam mais os olhos e eu facilmente os trocaria por um pouco de paz. Paz interior. Por que apesar de ter me tornado minha melhor companhia, já estava cansado de discutir comigo mesmo por motivos bestas. Uma voz dentro de mim dizia que viver sozinho é coisa de maluco. Pois então eu era maluco, retrucava, maluco por amar demais e mergulhar de cabeça no oceano de emoções que são os olhos de uma pessoa. Maluco por achar que existia um oceano ali e, meu Deus, era apenas uma piscina das mais rasas. Então a solidão, de fato, combinava muito comigo. De todas as maluquices, a melhor. Assim, mergulharia apenas no imenso silêncio da minha própria existência. Sem amor, sem dor e sem piscinas rasas. Traguei mais uma vez o cigarro e em seguida libertei uma névoa cinza de pura amargura, que dançou timidamente no ar enquanto eu fechava os olhos. Repetindo a mesma cena de todos os dias: uma cama bagunçada, um cigarro entre os dedos, um diálogo conturbado comigo mesmo e a solidão deitada do meu lado. Foi então que adormeci acompanhado dos meus dois únicos vícios e sem desejar ter mais nada nessa vida.


2 comentários:

Tais Amaral ზ disse...

oolá :)
tem um selinho pra você lá no meu blog !
http://infinitygirl.blogspot.com ♥

Maria Beatriz de Castro disse...

Esse texto falou direitinho sobre aquela coisa típoca: Nós sabemos que não faz bem, mas faz muito mal ficar sem; e assim seguimos nossa vida.
Um beijo, Maria Beatriz
http://biacentrismo.blogspot.com - @biacentrismo

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