sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Teoria do homem perfeito

É bonito falar sobre o homem perfeito. Aquele cara compreensivo, carinhoso e muito romântico. O que sempre vai te dar flores, te dizer palavras bonitas e andar contigo de mãos dadas em um final de tarde ao pôr-do-sol. Aquele cara que seu pai vai aceitar e sua mãe vai adotar. Definitivamente, o cara certo. Sonho de toda mulher. Só sonho mesmo, porque, na verdade, o homem perfeito não deve nunca sair da teoria.

Tudo bem. Você é contra isso. O homem perfeito deve sim sair da teoria e pular pra sua realidade, já! Ótimo. Boa sorte! A gente se vê daqui a duas ou três semanas quando você enjoar completamente do cara. Romantismo demais cansa. O cara certo vai ser tão certo, que rapidinho ele se torna o cara mais errado do mundo. Não serve pra você e pronto. Num piscar de olhos você volta a focar naquele outro lá, erradão, mas que mexe contigo de um jeito que o perfeitinho nunca vai conseguir. A verdade é que toda mulher tem pelo menos um cafajeste que a atrai. Triste, mas não adianta negar.

O homem perfeito só é atraente e desejável enquanto você ainda está animada com essa idéia de filme romântico. Depois que você cansar disso e quiser trocar o filme pra uma aventura, só pra esquentar mais as coisas, você vai perceber que o cara é um pé no saco. Ele é bom demais pra arriscar o relacionamento de vocês com uma mudança. Mas não se preocupe, seu desejo ainda assim será realizado, ele não se importará em trocar as rosas vermelhas por brancas.

Acontece que o homem perfeito idealizado por tantas não tem graça nenhuma. Ele vai ter sempre os mesmos assuntos, as mesmas frases feitas. Totalmente previsível. Por isso ele fica bem melhor na imaginação de cada uma, no lugar feito especialmente pra ele. Por que na verdade, bom mesmo é se surpreender com o homem cheio de defeitos mas que acaba sendo perfeito pra você.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Para alguém que ficou pra trás


Eu te perdi de várias maneiras possíveis. Perdi o contato, perdi de alcance e perdi de vista. Primeiro me culpei muito por isso, por ser tão descuidada e te deixar por ai. Depois te culpei, você que era um imbecil e idiota que conseguiu se perder, mesmo eu estando sempre tão próxima. E tive raiva, meu Deus, muita raiva. Mas hoje eu lembrei de muita coisa entre a gente e não senti mais nada. Nada de raiva.  Só um pouquinho de remorso por não ter aproveitado mais, quero dizer, eu me preocupei muito com o longo caminho que tínhamos pela frente e tratei de ir devagar. Agora eu me pergunto: Que longo caminho?! Isso nunca existiu. No máximo uma caminhada até a esquina. Por que diabos eu fui devagar? Do que adiantou respeitar cada sinal, cada placa? Na-da.
Deveria ter corrido. A mil por hora. Atropelando tudo pela frente. Quem sabe não teria atropelado aquele sentimento estúpido que me colocou na sua mão por tanto tempo? Deveria ter corrido mais rápido que a velocidade do som, só pra não ouvir tudo que me disse. Ah, e foi tanta coisa... Quem sabe assim não teria sofrido tanto por tanto tempo. Não devia ter esperado sinal verde nenhum, devia ter avançado mesmo e você que se preocupasse em acompanhar meu ritmo. Ai sim, queria ver se ia conseguir.
Mas tem um restinho de mim que ainda sonha em parar ao teu lado em um sinal vermelho da vida, e que você decida abaixar o vidro e vir falar comigo, só pra dizer que quer dar uma desacelerada na rotina e adoraria fazer isso comigo. Aí, meu bem, eu vou ser mau, vou acelerar mesmo. Dane-se o sinal vermelho e você. Descobri que você é devagar demais pra mim.  E eu cansei de pisar no freio pra te acompanhar. Minha velocidade está muito além da sua e eu só queria te avisar que em estrada livre, quem anda a oitenta quilômetros por hora fica pra trás, estou a mais de duzentos e agora não reduzo por mais ninguém. Nem por você.


domingo, 9 de outubro de 2011

Carta a um anjo com nome de flor


   
Você dizia sempre que não vivia sem a gente, mas nunca soube se a gente viveria sem você. Olha, vou te dizer, ta sendo difícil. Tanta coisa que aconteceu e eu queria te contar, tanta coisa aconteceu e eu só queria te abraçar. Só mais uma vez. Queria tanto ouvir você dizendo que não gostava de carinho, não tinha nascido pra isso, mas no fundo eu sempre soube que você gostava sim. E me abraçava tão forte, como ninguém até hoje conseguiu. Queria tanto ver seu sorriso de novo. Sua felicidade era contagiante, pra você não existia tempo ruim. Lembro das festas em família, quando o pessoal ia acordando aos poucos e você fazia questão de tomar café com cada um que sentasse à mesa. Sempre rindo de tudo. Era impossível não gostar de você.    
Eu sinto tanto sua falta. Todo mundo sente. Qualquer um que você conseguiu tocar o coração lamentou sua perda. E eu só quero dizer que ta sendo difícil de suportar. Já faz três anos e eu ainda não me conformei. Por que foi embora assim? Tão rápido que nem deu tempo pra entender o que estava acontecendo. Tão lento que dói em mim ate hoje. Eu me lembro de cada segundo. Segundo que parecia uma eternidade. Tudo parecia mais devagar e você foi embora. Lembro dos minutos de felicidade que antecederam e o desespero que se seguiu. Estava se despedindo? Eu só queria falar como dói lembrar de tudo isso. Não existe palavra que descreva. É uma saudade que não cabe mais no peito e transborda pelos olhos. Quando você foi, levou contigo uma parte de mim. É por isso que nada mais fica completo. Sempre falta alguma coisa. Sempre falta você.
Apesar de tudo, adoro de verdade quando vem me visitar em sonhos, sempre me lembrando que a vida continua independente do que tenha acontecido. Três anos que você voltou ao seu lugar de anjo ao lado de Deus. Agora possui asas. E ainda é possível sentir sua presença todas as manhãs, como se você ainda fizesse questão de sentar-se a mesa com cada membro da família, para tomar seu velho café e contagiar a todos com sua alegria.
Saudades.

Do seu jardim aqui na terra, que ficou mais triste sem você, Margarida.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Coisa de casal: Sexo



- Foi lindo.
- Foi só sexo.
- Não, fizemos amor!
- Ninguém faz amor. Fizemos sexo.
- Claro que não. Ah, vai dizer que você não percebeu a magia daquele ato.
- Quer saber uma coisa mágica que eu percebi?
- O que? Como foi uma noite inesquecível?
- Não. Você teve um orgasmo.
- Não seja grosso!
- Você não reclamou ontem a noite.
- Pare de menosprezar nossa noite juntos.
- Não to menosprezando, no geral, foi uma noite muito boa.
- O que você quer dizer com “no geral”? Foi uma noite única.
- Realmente, hoje faremos diferente. O que acha de mudarmos a posição?
- Não vou mudar coisa nenhuma!
- Meu amor, mudar é sempre bom.
- Então mude sua concepção: fizemos amor, não fizemos?
- Fizemos o que você quiser. Ou melhor, faremos. Eu. Você. Hoje à noite.
- Pode parar com a brincadeira e me levar a sério?
- Claro. Posso te levar pra cama também, se você quiser.
- Basta!
- O que foi? Não quer ir pra cama? O que acha do balcão da cozinha, então? Sofá? Chão? Todo lugar é lugar.
- Você não está considerando meus sentimentos.
- Que calúnia! Claro que estou. 
- Não está! Quer saber? Cansei. Vou arrumar minhas coisas e vou pra minha casa.
- Ótimo. Sua casa então. Ta combinado. Te encontro às 9.
- Idiota. Cara-de-pau. Não se atrase. 


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Você nem percebe



Levanta em um pulo por que perdeu o horário. Se arruma parecendo que vai tirar a mãe da forca. Engole o café todo de uma vez. Desce as escadas pulando todos os degraus. Corre pro ponto do ônibus, tarde demais, o ônibus acabou de passar. Passa mais vinte minutos impaciente esperando o próximo. Corre pra sala de aula e dorme. Pega uma fila gigantesca na cantina. Lá esta você batendo o pé impaciente, de novo. Volta pra sala e vai ouvir música. Hora de voltar pra casa. Pega outro ônibus lotado e vai xingando todas as gerações do motorista, como se ele tivesse alguma culpa. Chega em casa e mal tem paciência para o almoço. Sua mãe briga por que tem que mastigar direito. Você não ouve. Vai para o computador e fica lá o resto da tarde. Atividade do colégio? Não sabe o que é. Atividade física? Você é só mais um sedentário. O sono chega já tarde da noite. Você vai dormir e esquece de colocar o despertador.

Então você...

Levanta em um pulo por que perdeu o horário e nem percebe o bom dia da sua irmã mais nova. Se arruma parecendo que vai tirar a mãe da forca e nem dá um beijo na sua mãe. Engole o café todo de uma vez e nem percebe que seu pai comprou aquele pão-de-queijo que você tanto gosta. Desce as escadas pulando todos os degraus e nem percebe que mudaram os quadros das paredes. Corre pro ponto de ônibus e nem percebe como o dia amanheceu bonito. Passa mais vinte minutos impaciente olhando pro relógio e nem percebe que nesse tempo passou outro ônibus que também servia pra você. Corre pra sala de aula a troco de nada, você dorme e nem percebe que tem professor novo. Pega uma fila gigantesca e não percebe que nem com fome está, mas permanece lá, impaciente. Vota pra sala, vai ouvir musica e nem percebe que está cantando uma musica totalmente diferente da que esta tocando. Volta pra casa em pé no ônibus lotado. Xinga tanto o motorista e nem percebe que mudaram, não é mais o mesmo que te levava todos os dias. Chega em casa e nem percebe que sua mãe fez lasanha, seu prato favorito. E também não ouve quando ela manda você saborear mais a comida. Passa o resto da tarde dentro do quarto e não percebe que teus amigos te chamaram duas vezes lá fora, afinal o dia estava pedindo uma partidinha de futebol. A atividade do colégio era uma pesquisa boba no computador, mas você não percebeu. Atividade física você desconhece, nem futebol você joga mais. O sono chega e você vai dormir sem perceber que mais um dia passou despercebido por você.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A primeira vez



Não imaginei que aquilo fosse acontecer naquela noite. Muito menos daquele jeito. Foi algo inesperado e até meio sem sentido. De certa forma, gostei. Confesso que se tivesse me preparado seria bem melhor, mas esse tipo de coisa acontece com qualquer um, não é mesmo? Pelo menos é o que dizem por ai, todo mundo tem a sua primeira vez.
Foi o seguinte: me produzi toda esperando chegar em um coquetel, mas os planos mudaram e eu fui parar em uma boate num bairro movimentado da minha cidade. É isso, nos meus quinze aninhos de vida eu nunca tinha ido a uma. A experiência foi um tanto constrangedora, estava com meus pais e por mais descontraídos que os dois sejam, continuam sendo meus pais. No início me senti um peixe fora d’agua, e não deixava de ser. A pouca luz do lugar só contribuía para eu achar todo mundo muito igual: as mulheres com as mesmas saias curtíssimas de cintura alta e todos os homens com as mesmas camisas pólo. E lá estava eu, com minha calça jeans e jaqueta. A única coisa que me aproximava do pessoal era meu salto, que por sinal, doía muito no meu pé.
Assim que cheguei, achei tudo horrível, detestei. Estava desconfortável, queria ir para o coquetel, a música estava aguda demais e derrubaram bebida no meu cabelo, maldita hora que resolvi sair de casa. Passou uma hora e nesse tempo eu acabei achando o lugar até legalzinho, o sofá era bem macio e aconchegante e meu cabelo já estava quase seco, não foi de todo o mal. Depois começaram a tocar um forrozinho. Que boate mais eclética, vejam só. Ou será que todas são assim? Adoro forró. Adorei esse lugar. Mãe, meu aniversario ano que vem vai ser lá, ta? Um cara já tinha passado por mim milhares de vezes... Ou será que foi outro? Sei lá, mas ele era bonitinho. Porra, mãe e pai!
No fim da história ou no fim da noite, eu já estava cantando e dançando. Sozinha. E mesmo assim estava me divertindo. Sabe, no inicio não gostei, mas depois foi legal. Quero repetir a dose, afinal, dizem que a primeira vez nunca é isso tudo, nunca é cem por cento boa. Da segunda em diante a gente aproveita muito mais, fica mais descontraída, mais relaxada. Talvez seja bem melhor.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Deixa


Chega um pouco mais perto. Deixa eu sussurrar no seu ouvido que as noites sem você costumam ser mais frias. Deixa eu te contar meu dia mais estranho, minhas bobagens e minhas neuras. Deixa eu te contar que você ainda significa muito pra mim. Sabe, daquele jeito tão especial, deixa eu me encaixar no seu peito, envolvida pelo seu abraço. Vem cá, deixa eu te mostrar que o amor pode ser bom sim. Que a gente ainda pode ser muito feliz. Deixa eu te falar que o passado ta lá atrás, e ta na hora da gente viver nosso maior presente, o nosso futuro daqui a um segundo. Deixa eu mexer nos teus cabelos, eu gosto e sei que você gosta. Deixa eu te mostrar que vida a dois pode ser muito boa. Deixa eu me perder no teu olhar, deixa eu me encontrar na tua boca. Deixa eu e você sermos nós. Vem meu amor, que eu deixo.